Repouso

Embarco em uma série de reflexões a partir de fragmentos do Livro Confissões de Agostinho.


O homem, fragmentozinho da criação, quer louvar-Vos; – o homem que publica a sua mortalidade, arrastando o testemunho do seu pecado e a prova de que Vós resistis aos soberbos. Todavia, esse homem, particulazinha da criação, deseja louvar-Vos. Vós o incitais a que se deleite nos vossos louvores, porque nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós. (Livro I – Cap. 1)


Deus criou a particulazinha para louvá-lo, o louvor é gostoso e dá prazer ao fragmentozinho da criação que vive inquieto enquanto não repousa na imensidão, enquanto não repousa no Eterno.
A nostalgia de Deus habita no coração do ser humano, Deus criou ele assim. Isso lembra de Salomão em sua sabedoria:

Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.          Eclesiastes 3.11

Deus cria o coração com a compreensão de algo a mais, algo além do tempo, algo que não acaba. A inquietude habita no coração porque este não vê sentido na morte, não vê sentido no fim. Os términos não agradam tanto quanto os inícios, os casamentos são um alívio em meio a funerais. O coração só se acalma no Eterno e percebe que não há término no repouso divino.
Aquele que procura descanso precisa entender que Deus o criou para ele e o coração vive inquieto enquanto não repousa nele.

“Nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós.” Agostinho